Este livro analisa como a relocalização de saberes acadêmicos contribui para a construção de vozes sociais de professores em formação inicial, denominados de alunos-mestre, a partir da escrita acadêmica convencional e reflexiva. A escrita acadêmica é tomada como registro produzido no contexto universitário, representada pelas Resenhas Acadêmicas (RA) e pelos Relatórios de Estágio Supervisionado (RES). Esta pesquisa está inserida no campo indisciplinar da Linguística Aplicada, considerando a concepção de vozes sociais da Sociopragmática e dos estudos bakhtinianos da linguagem, bem como a noção de letramento como prática social a partir da articulação entre letramento do professor e acadêmico como estratégia de fortalecimento do aluno-mestre. Adoto também a Linguística Sistêmico-Funcional como principal aporte teórico-metodológico para as microanálises. Os resultados apontam para a capacidade catalisadora dos registros acadêmicos focalizados, pois proporcionam situações que incitam reflexões sobre teoria e prática, o que resultou na tentativa de construção de objetos de ensino. Os dados revelam ainda que as RA e os RES apresentam diferenças, mas também semelhanças, o que dissipa o estereótipo de homogeneização da escrita na universidade, ao mesmo tempo em que comprova a instabilidade dos gêneros discursivos.