Este livro nasce do instante em que o corpo fala antes da palavra. Um gesto simples, quase imperceptível, inaugura uma virada psíquica profunda: quando o corpo diz "não", algo dentro se reorganiza, e a consciência é chamada a acompanhar o movimento que já começou no inconsciente.
A narrativa percorre o momento em que o corpo encontra, pela primeira vez em muito tempo, um descanso absoluto — um sono que não é fuga, mas libertação. O adormecer torna-se testemunha silenciosa de uma decisão interna: a de não mais ocupar lugares que aprisionam, culpabilizam ou silenciam o desejo.
Ao amanhecer, a consciência desperta para uma verdade que o corpo já sabia: viver exige inteireza, e a inteireza só é possível quando deixamos de repetir papéis antigos que nos afastam de nós mesmos.
Com linguagem poética e rigor psicanalítico, o livro acompanha um percurso de retorno ao próprio desejo. Entre teoria e vivência, revela como o corpo registra aquilo que a palavra ainda não alcança, e como a consciência, ao se aproximar desse saber, inaugura uma liberdade nova: aquela que nasce do encontro consigo.