Na França, um homem é punido: seus mamilos são arrancados por tenazes, bem como parte da pele de suas coxas e de seus braços; despejam-lhe nas feridas abertas um líquido fervente; seus membros são amarrados a seis cavalos, que devem puxá-los até a amputação. Mais de 250 anos depois, na Noruega, um homem, julgado culpado de um atentado terrorista que vitimou ou feriu centenas de pessoas, tem acesso, na prisão, a uma sala de TV e uma cozinha, além de jogar basquete e estudar. Como a punição e a percepção do ato punitivo evoluíram? E por que as punições, antes mais torturantes, violadoras e explícitas deixaram de sê-los? Como as diferentes sociedades entendem e entenderam esses atos? E para um médico? Quais as dificuldades de exercer uma profissão que preza pela saúde em um ambiente cujo objetivo é punir? Nesta obra, o autor, prof. Lucas Castilho Lopes, tentou responder a esses questionamentos com base em ampla pesquisa bibliográfica realizada ao longo de dois anos durante o que foi inicialmente sua dissertação de mestrado. De maneira descritiva e apolítica, oferece reflexões que viajam entre a história e o presente, entre a contradição e os paroxismos.