O livro Procrastinação: Um Encontro Filosófico com o Tempo Perdido , escrito por Elias Sikorski, é uma obra que mergulha profundamente no fenômeno da procrastinação, explorando suas origens psicológicas, impactos na vida pessoal e profissional, e oferecendo estratégias práticas e reflexivas para superá-la. Mais do que um manual de produtividade, o livro convida o leitor a uma jornada de autoconhecimento, transformação interna e ressignificação da relação com o tempo. A obra começa por diferenciar procrastinação de preguiça, destacando que a procrastinação é um adiamento consciente de tarefas, muitas vezes motivado por medo do fracasso, perfeccionismo ou dificuldade em lidar com emoções desconfortáveis. Já a preguiça está mais relacionada à falta de energia ou desinteresse. Essa distinção é crucial para entender como abordar cada comportamento de forma eficaz. Sikorski explora as origens psicológicas da procrastinação, destacando a interação entre o sistema límbico (responsável pelas emoções e recompensas imediatas) e o córtex pré-frontal (responsável pelo planejamento e autocontrole). Ele também aborda como o medo do fracasso, a autoimagem negativa e a desconexão entre o presente e o futuro contribuem para o comportamento procrastinador. A obra sugere que a procrastinação pode ser um reflexo de necessidades emocionais não atendidas ou de desalinhamento com os valores pessoais, oferecendo uma perspectiva compassiva e não julgadora. Um dos pontos centrais do livro é a ideia de que a procrastinação não deve ser vista apenas como um inimigo, mas também como uma oportunidade para reflexão e crescimento. Sikorski propõe que, ao invés de lutar contra o eu procrastinador , devemos aprender a conviver com ele, entendendo suas motivações e negociando com ele de forma compassiva. Ele sugere estratégias como a divisão de tarefas em microtarefas, o uso de recompensas e a criação de rotinas flexíveis que equilibrem produtividade e autocuidado. A autocompaixão é um tema recorrente ao longo do livro. Sikorski enfatiza a importância de tratar a si mesmo com gentileza, reconhecendo que a procrastinação é uma resposta comum a desafios emocionais e psicológicos. Ele sugere que, em vez de se culpar por adiar tarefas, o leitor deve se perguntar o que está tentando evitar e como pode agir de forma diferente no futuro. Essa abordagem ajuda a reduzir a autocrítica e a criar um ciclo de motivação e autoconfiança. O livro também explora o impacto da procrastinação nas relações interpessoais, tanto no âmbito familiar quanto no profissional. Sikorski destaca como a procrastinação pode gerar tensões e conflitos em casa, especialmente quando os membros da família reagem com críticas excessivas ou cobranças agressivas. Ele sugere que a solução para esses problemas está no diálogo aberto, na definição de metas realistas e no apoio mútuo. No ambiente de trabalho, a procrastinação pode afetar a produtividade, a reputação e as relações entre colegas. O autor oferece estratégias para gerenciar a procrastinação no trabalho, como o uso de ferramentas de planejamento, a divisão de tarefas complexas e a prática da comunicação aberta. Um dos capítulos mais inspiradores do livro é dedicado à transformação do eu procrastinador em um eu protagonista . Sikorski argumenta que assumir o protagonismo da própria vida significa reconhecer que somos os autores de nossas escolhas e ações. Ele sugere que, ao invés de se ver como vítima das circunstâncias, o leitor deve assumir a responsabilidade por suas decisões e focar no que está ao seu alcance. Essa mudança de perspectiva é fundamental para superar a procrastinação e viver com intenção e propósito. O livro também aborda a importância do aprendizado contínuo como ferramenta para combater a procrastinação.