O encarceramento feminino cresce silenciosamente no Brasil, expondo desigualdades históricas, estruturais e profundas. Entre muros e grades, mulheres enfrentam silenciamentos, estigmas e dores, atravessadas por gênero, raça e classe, enquanto suas identidades e saúde mental são impactadas de forma intensa e duradoura. Este livro mergulha nas trajetórias dessas mulheres, revelando, por meio de entrevistas com reclusas, psicólogas, assistentes sociais e servidores, os efeitos do abandono institucional, da precariedade do sistema prisional e dos processos de mortificação do eu descritos por Erving Goffman. Mais do que um estudo acadêmico, a obra é um convite à reflexão sobre uma realidade invisibilizada: a vida das mulheres atrás das grades e os efeitos do cárcere sobre sua subjetividade. Ao mostrar como a ausência de políticas públicas adequadas intensifica vulnerabilidades ligadas à pobreza, ao racismo e ao gênero, o livro constrói uma análise crítica e necessária sobre estigmas, sofrimento psíquico e dignidade. Combinando rigor metodológico, teórico e narrativas humanas, esta obra lança luz sobre histórias pouco contadas, questiona o papel do Estado e da sociedade e revela a urgência de repensar o sistema prisional, propondo uma reflexão sobre justiça, cuidado e reintegração social.