O luto não reconhecido é um crescente problema no mundo contemporâneo. Neste contexto, abordamos neste livro o modelo proposto por George L. Engel em 1977 e adotado pela OMS (modelo biopsicossocial). Devemos entender que a saúde mental é afetada de forma complexa pelas perdas, influenciadas pelo contexto socioeconômico (cultura, família e status socioeconômicos), além da comunidade e fatores ambientais. Um desafio perante as consequências observadas, derivadas do isolamento social pela falta de validação. Tal processo pode ser baseado no desenvolvimento das atividades mentais, emoções e comportamento, em conjunto das percepções do indivíduo de sua condição. Abordamos a predisposição psicológica, genética, neurobiologia e neuroplasticidade, na procura de alvos terapêuticos, e de fatores independentes associados ao luto saudável. Finalmente, exploramos metodologias como a terapia cognitivo-comportamental, as ações de grupos multiprofissionais e apontamos limitações, assim como caminhos humanizados e sua identidade social. Complementamos com a necessidade de políticas de atenção ao indivíduo que vivencia o processo e regulamentações que permitam uma prática clínica com base ética disponível, e identificação das diferentes trajetórias. Observar no luto, quando avaliado de diferentes pontos de vista, um panorama que nos cerca e orienta ao formato multiprofissional em seu tratamento para romper esse ciclo de mudanças é objetivo desafiador dentro desse processo complexo.