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Guia de conduta para mulheres bravas

Guia de conduta para mulheres bravas

Sinopse

"Guia de conduta para mulheres bravas" é um livro que aborda, com humor ácido e sagaz, a formação de estereótipos da mulher no mundo luso-brasileiro e seus ecos na atualidade. Para isso, articula uma narrativa histórico-literária com 59 irônicas "lições de conduta" para mulheres contemporâneas, criadas a partir de experiências reais, relatadas por trinta portuguesas e brasileiras que participaram da proposta da autora, além de outras coletadas em denúncias de xenofobia. Com um projeto gráfico primoroso, o guia foi concebido como um livro de artista, no qual forma e conteúdo dialogam intrinsecamente. A narrativa parte de uma investigação inédita sobre o Juízo das Bravas, um julgamento que puniu e categorizou como "bravas", sistematicamente e ao longo de quatro séculos, mulheres que ousavam falar nos espaços públicos de maneiras consideradas inapropriadas. Os "graves delitos" consistiam, por exemplo, em proferir impropérios, bradar ou causar discórdias. O julgamento ocorreu com esse nome em Portugal, aproximadamente do século XIV ao XVIII, mas se estendeu ao Brasil, pelo processo de colonização, enquanto normativa e valor moral. Essa história, pouquíssimo conhecida na atualidade, é contada na primeira parte do livro, o "Prólogo", por uma narradora-personagem que, transitando ao longo do tempo, apresenta com ironia documentos e fontes literárias que definem preceitos para o comportamento feminino ligado à fala. A segunda parte, chamada de "Lições", traz as ressonâncias dessa história para o presente, ao expor as expressões misóginas e estereotipantes que mulheres brasileiras e portuguesas ainda hoje escutam. As lições buscam, no entanto, revelar e ressignificar através da ironia essas opressões, tornando-as – no mínimo – incômodas a seus reprodutores. "Guia de conduta para mulheres bravas" adota, assim, um posicionamento feminista, ao resgatar fatos que ficaram à margem dos discursos históricos dominantes, propor uma crítica a narrativas literárias patriarcais e colocar em evidência perspectivas das próprias mulheres sobre palavras que as categorizam.