Neste tempo pós-moderno, repleto de transições religiosas, estas duas teorias da psicologia profunda merecem ser revisitadas. Para Jung, o ser humano, através das imagens arquetípicas advindas do inconsciente coletivo, apresenta pontos de averiguação sobre a existência do Sagrado na natureza psíquica, tais investigações o levaram a afirmar que a psique é naturaliter religiosa. Já no pensamento de Freud, não se percebe a negação da função religiosa na psique, mas verifica-se que ele a coloca em outro patamar, o de uma projeção similar à neurose obsessiva compulsiva, podendo a humanidade, através da razão, despertar desta falsa consciência religiosa considerada, às vezes, até necessária à saúde psíquica, mas que retarda a evolução da espécie humana. É mediante tais pressupostos que a análise dos paradoxos apresentados proporciona como ponto de partida para uma frutífera reflexão, duas formas de pensar a psicologia da religião. Primeiramente, onde a experiência religiosa pode ser compreendida como uma dependência infantil à figura do Pai, estritamente relacionada ao complexo de Édipo, como argumenta Freud. E posteriormente, como evidencia Jung, ela é um fenômeno perpassado por conteúdos a priori, pois apesar das experiências culturais, sociais e religiosas impostas pela relação do ser no mundo externo, algo a mais ocorre; quando na busca de si mesmo, o ser modifica sua consciência através desta função naturalmente religiosa, implícita na dinâmica interna da psique.