Esses poemas nasceram de tentativas de comunicação: alegres, tristes, queixosas, esperançosas, sonhadoras, raivosas, taradas. Fragmentos do cotidiano em que percebo o intrincado emaranhado dos outros comigo — todos os outros, inclusive meus outros eus. Humildemente resgato alguns fios e os tranço no centro do meu ser, na tentativa de vislumbrar, por instantes raros, alguma unidade.Assim, afirmo que é tudo um, tudo eu: o cabelo no ovo, o urubu com entojo, a aurora de dedos róseos, o luar solitário, o engasgo, o atrapalho, a mesmice e a revolução; a liberdade atada ao dever, pequenas loucuras por não saber, mel com mostarda, a pinta na vagina. Que estes poemas encontrem — sem pudor — seus corações e seus corpos.