As práticas discursivas de Lula e Chávez relacionadas à Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (IIRSA) em sua implantação pan-amazônica revelam os deslocamentos de sentido e as ressignificações programáticas de suas identidades socialmente reconhecidas como opositoras ao neoliberalismo, em um contexto de disputa hegemônica entre modelos de integração regional distintos (ALCA, MERCOSUL e ALBA).
Descrevemos o cenário internacional pós-guerra fria, as estruturas hegemônicas internacionais e sua relação com estes diferentes modelos. Delineamos o processo de configuração social e histórica da Amazônia e as formas de reatualização de sua carga mítica. Observamos continuidades nos processos atuais de expansão da fronteira de commodities, desterritorialização e desconstrução legal da Amazônia, processos impulsionados e impulsionadores da IIRSA.
Concluímos que o silêncio pragmático de Chávez se deve a uma concepção de desenvolvimento endógeno sul-americano incompatível com a IIRSA, que é quebrado pela esperança, logo perdida, de aliança com Lula.
Isto pois a prática discursiva de Lula, apesar do constrangimento em explicitar a IIRSA, articula-a elogiosamente às ideias de livre comércio e integração sul-americana; reatualizando o mito do El Dorado e a mística do desenvolvimento. Lula, ao mesmo tempo em que foge ao reconhecimento de uma identidade de esquerda, contribui para legitimar as obras da IIRSA e o processo de desconstrução da Amazônia.