A Mitologia primitiva é a língua poética de que se serviam os povos antigos para explicar os fenômenos naturais. Tudo quanto nos apresenta a natureza exterior era, aos olhos dos antigos, a forma visível de personalidades divinas. Mas a alegoria não era absolutamente uma forma particular à arte, pois fazia também parte da linguagem usual. O Sol, para os antigos, era um brilhante deus em luta contra a Lua, sua irmã. Uma tempestade significava a cólera de Poseidon, ou Netuno, e, para indicar um tremor de terra, dizia-se que Poseidon batia o chão com o seu tridente. Inúmeras fábulas explicavam naturalmente esses hábitos alegóricos da linguagem. Cada rio era um deus, e cada regato uma ninfa. Se num trecho corriam na mesma direção era porque se amavam. Todas as cidades pretendiam estar sob a proteção de uma divindade da qual se diziam filhas: Atenas (da deusa Atena) era filha de Zeus. Sendo Zeus o mais poderoso dos deuses, por ser a abóbada do céu, inúmeras eram as cidades que pretendiam ser-lhe filhas, e a maneira pela qual estabeleciam a sua origem divina. Como jamais houve na Grécia uma igreja constituída, e como a única missão do sacerdócio era a de dirigir as cerimônias, sem todavia formular dogma de nenhuma espécie, cada um tecia, de acordo com a própria imaginação, as lendas locais, ou as narrava às crianças sob a forma de contos de fadas. Isto é Mitologia. E, daqui por diante, a Mitologia Grega.