Há reinos que o tempo não esquece — apenas silencia.
Gorroth foi um deles: vasto, lendário, cercado pelo mar do Siren e coroado por colinas e castelos que pareciam tocar os céus. Lá, sob o estandarte dos Cavethane, o vento soprava promessas de eternidade. Mas toda eternidade termina.
Com o fim da Grande Guerra, a casa real de Gorroth foi lançada ao exílio. O novo rei, tomado por lendas e pela ânsia de poder, reclamou para si as terras que havia conquistado com sangue, e condenou os Cavethane a cruzar o mar em busca de um deserto distante — um lugar que os livros diziam esconder riquezas inimagináveis. Porém, o que se prometia como redenção, tornou-se uma sentença.
Por desígnio cruel, o novo rei dividiu o povo: metade ficaria sob sua vigilância, enquanto a outra metade seria lançada ao ermo. Assim, os que permaneceram tornaram-se reféns; os que partiram, escravos de uma lealdade imposta pela dor. E enquanto o trono usurpado se erguia sobre ouro e silêncio, o nome Cavethane ecoava entre as dunas, sustentado apenas pela esperança.
O patriarca, agora envelhecido, busca apenas a paz. Sonha com o retorno, não como rei, mas como homem. Não deseja a coroa que lhe foi tirada — apenas o direito de morrer em sua terra. Um homem quebrado que sonha com paz, e não com o poder. Mas entre seus seguidores há quem recuse o silêncio. São aqueles que acreditam que a guerra nunca terminou… e que o sangue ainda exige resposta. Para esses, a guerra nunca acabou — apenas dorme, à espera de um novo chamado.
É nesse mundo dividido entre a memória e o deserto que cresce Damien Cavethane, o filho do exílio, aquele que jamais viu o reino de seus antepassados. Nascido sob o sol impiedoso do deserto, ele aprenderá que o destino é tecido não apenas por coroas, mas por sacrifício. Entre segredos, revelações e o sopro distante dos deuses, o filho ouvirá o chamado que ecoa entre os deuses e os ventos — um chamado para se erguer, não apenas como herdeiro de um trono, mas como herdeiro de uma verdade perdida.
Nas margens do deserto e do mar, entre fé e ruína, a história recomeça.
Porque há guerras que nunca se vencem com espadas — mas com aquilo que o tempo não pode apagar: o nome, o sangue e a promessa.