Inspirado na obra Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke (1875-1926), Maurice Béjart estabelece, em Cartas a um jovem bailarino, um diálogo epistolar com um aspirante à dança e o orienta não apenas sobre a técnica, mas sobre a formação do espírito e da sensibilidade. Para ele, a arte nasce do encontro entre a experiência e a busca incessante por algo maior. Cada gesto, cada movimento, cada ideia tem raízes naquilo que o artista viveu, sentiu e compreendeu do mundo.
Seguindo essa lógica, Béjart parte de experiências pessoais – uma viagem à Índia, entrevistas a jornalistas, a criação de sua primeira companhia de dança, entre outras –, para tecer reflexões reveladoras sobre a arte e o processo criativo. Reflexões que partem da dança, mas se aplicam à jornada de todo tipo de artista. Afinal, para Béjart, um grande artista é antes de tudo um grande homem; a grandeza na criação vem da grandeza da experiência, da entrega total àquilo que se faz, da capacidade de se abrir ao desconhecido e, a partir disso, construir algo que toque a essência do humano.