Categorias Ver Todas >

Audiolivros Ver Todos >

E-books Ver Todos >

Café no Expediente

Café no Expediente

Sinopse

Sobre ouvir os outrosEu trabalhei com bons profissionais, e sim, agradeço a Deus por ter passado, acima de tudo, por boas pessoas. Creio que três nomes em toda a minha carreira eu não indicaria para nada e nem gostaria de cruzar novamente seus caminhos. E certamente, se eles lerem este livro, saberão que falo deles. Mas todos os outros, sem exceção, tive ótima relação, e não possuem dúvida do que penso a respeito.O grande desafio nunca foi agradar todo mundo. Na verdade, eu nunca fui referência em agradar todos, mas certamente nunca desapontei ou tripudiei alguém, nunca causei ou gerei conflito pelo simples desejo da vaidade. Sempre busquei estar em ambientes onde eu me sentiria minimamente confortável para trabalhar e conviver. Considerando minha condição com TDAH, focar em fazer algo, mesmo sendo bom, já é um grande desafio. Imagine essa mesma demanda em um ambiente péssimo: aí, sim, seria problema para prosseguir, e até para conter minhas respostas e minha língua nesse ambiente.Com o tempo, descobri que não se trata de estar no melhor lugar, mas de tentar criar o melhor ambiente ou clima. Muitas vezes fui tomado ouvindo pessoas por horas — não apenas ouvindo, mas trocando conhecimento, como dizem, "trocando ideia". Ficávamos horas divagando, reclamando, refletindo, e depois entendíamos como poderíamos mudar o que estava ao nosso alcance. Era um ritual diário. Não apenas com uma pessoa, mas com várias. Cada uma trazia uma história, uma verdade, uma realidade. E com o tempo, grandes entregas surgiam: em alguns momentos eu oferecia conselhos e amparo, em outros era eu quem recebia acolhimento e orientação. O tempo mostrava o quanto a conversa torna as relações mais profundas e verdadeiras.O interessante dessas conversas é que elas me deixavam mais leve. Quando eu não falava, também me sentia leve em ouvir. Percebia o quanto essas pessoas valorizavam esse momento. Descobri que nossa mente é o sistema mais complexo que existe, capaz até de criar outras inteligências. Mesmo no advento da IA, nada consegue superar nossa mente em complexidade. Enquanto as inteligências artificiais precisam de computadores caríssimos, tecnologia extrema, alto consumo de dados e energia, nós precisamos de algo muito mais simples: alguns copos de água por dia, dois pratos de comida, alguém para nos ouvir e um sorriso para nos motivar.Esse baixo custo mantém o sistema mais complexo do universo funcionando e criando. E quando esse sistema encontra outro, e nele percebe calor humano, aceleração de ideias, relaxamento da visão e abertura para o diálogo, ninguém segura. Essa mente pode vencer o mundo, conquistar o universo. E isso não há IA que substitua. Porque não se trata apenas de raciocínio ou lógica, mas de encontro. Quando duas mentes se reconhecem, quando dois corações se permitem, nasce algo que nenhuma máquina pode simular: a paixão. É o pacto invisível que transforma o simples em extraordinário. É o olhar que aquece, o sorriso que desarma, a palavra que abre caminhos. Entre homem e mulher, esse pacto se torna ainda mais intenso. É o momento em que o diálogo vira abraço, em que a escuta vira entrega, em que o ritual da presença se transforma em amor. Não é cálculo, não é algoritmo, é vida pulsando em dois corpos que se encontram e decidem caminhar juntos.E tudo isso pode começar de forma simples: um café, uma conversa, um ritual repetido que cria laços e torna o outro único no mundo. Mas também pode ser algo mais simples: uma amizade, uma relação de colegas que precisam trabalhar juntos, sem esquecer que o outro também sente e também me vê.Há uma parte na história do Pequeno Príncipe em que a raposa pede para ser cativada. Ela explica que cativar é criar laços. Sem isso, o príncipe seria apenas mais um garoto, e ela apenas mais uma raposa. Mas se houvesse o gesto de cativar, passariam a ser únicos um para o outro.