O livro que o leitor tem em mãos tem por objeto "os distantes sertões do rio Amazonas". Como bem assinala seu autor, a despeito de as drogas do sertão serem sobejamente mencionadas na historiografia, constituem uma das atividades econômicas menos estudadas. É precisamente esta a história econômica que aqui se conta. Para tanto, André José Santos Pompeu recorre a um notável conjunto de fontes documentais entre publicadas e arquivísticas de diferentes instituições. Em Portugal, o Arquivo Histórico Ultramarino, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Biblioteca da Ajuda e Biblioteca Pública de Évora; no país, o Arquivo Público do Estado do Pará. Este robusto conjunto documental foi submetido a uma rigorosa metodologia. Como resultado, este estudo questiona e relativiza o papel das assim chamadas reformas pombalinas na economia e enfatiza que o sertão amazônico foi um espaço de intenso comércio e tráfico de escravos indígenas durante o período colonial.
Angelo Alves Carrara
Professor das Universidades Federais de Juiz de Fora e de Ouro Preto.