Em Curvelo, no coração do Gerais, onde o cotidiano se mistura com o surreal, Imago deseja, mas não se inflama para viver. Ele não vive verdadeiramente, apenas reside. Reside no absurdo que o conforta, que serve de abrigo para que não precise encarar de frente. Quando a vida o obriga a encarar, foge para o aconchego do universo azul em todas as suas tonalidades que para si criou como refúgio. Paraopeba, Pirrogira e Crisálido, bem mais que seus amigos, vivem para Imago a vida da qual ele se esquiva, enquanto se desequilibra nos desatinos do amor que não consegue manifestar. Até mesmo os mortos se esmeram para alertá-lo de que as coisas do coração não podem ser deixadas para depois. Quando, enfim, manifesta verdadeiramente os seus desejos, o faz movido pela ancestralidade dos sentimentos mais hostis. Quando tudo começa a se equilibrar já pode ser tarde demais. Viver ou apenas existir? Eis o dilema de Imago.