Algumas histórias nascem das cicatrizes que aprenderam a performar uma fantasia. Outras, como retratos borrados de lembranças que, talvez, tenham existido.
Esta caminha entre as duas.
Enustyk é uma menina que aprendeu cedo a vestir uma capa – tão pesada quanto dura, forjada no silêncio, na coragem e sobrevivência.
Por trás dela, vive a fera: astuta, veloz, inquieta.
Uma protege, fere, foge, a outra sente, deseja, permanece.
Entre luz e sombras, fantasia e realidade, as duas dividem a mesma pele, o mesmo nome, o mesmo coração.
O destino, porém, não teve pressa.
Mandou-lhes um anjo. Esse poderia ter vindo como luz, como abrigo, como fuga —, mas veio como espelho. Capaz de ver além da capa e decidir ficar quando a guerra termina e o corpo desaba.
Entre o real e o imaginado, entre as memórias que existem e as que poderiam existir, esta história é costurada como quem remenda uma pele antiga: ponto por ponto, até caber de novo no corpo.
Verdade? Ficção? Talvez sejam ambas.
Mas, quem sabe, seja só o que fica quando a guerra finalmente cede lugar à paz.