A Mentira de Dois Mil AnosDurante dois mil anos, a civilização ocidental foi edificada sobre uma imagem anatómica simples, mas devastadora: um osso pequeno, curvo e frágil.Em cada catecismo, em cada pintura renascentista e em cada sermão dominical, a história foi repetida com a certeza de um dogma inquestionável: Eva, a primeira mulher, foi formada a partir de uma costela de Adão. Uma costela é um osso que protege, sim, mas é, em última análise, prescindível. Um homem pode perder uma costela e continuar a viver, a andar e a governar sem qualquer prejuízo fatal para a sua estrutura.Esta tradução criou uma teologia de acessório . Se a mulher veio de uma peça pequena e secundária, então a sua função no mundo, na igreja e na família deve ser, logicamente, pequena e secundária. Ela foi vista como um apêndice da criação, uma ideia tardia de Deus para resolver a solidão masculina.Mas a Bíblia hebraica original nunca disse costela .O que você tem nas mãos não é apenas um livro; é um ato de arqueologia teológica. O objetivo destas páginas é remover as camadas de tradição, de traduções latinas convenientes e de preconceitos culturais para desenterrar o que realmente aconteceu no Jardim do Éden.A verdade está escondida numa única palavra hebraica de três letras {TSL AH}$ (עלַ צֶ (.Quando começamos a rastrear esta palavra através das Escrituras, descobrimos um escândalo linguístico. Em quase todas as suas ocorrências no Antigo Testamento — quando Deus descreve a arquite